As mídias sociais estão quebradas e implodindo

O título desse post foi retirado do artigo escrito por Annalee Newitz no jornal americano The New York Times intitulado “A Better Internet Is Waiting for Us” (“Uma internet melhor está esperando por nós”). Para a autora as redes sociais envenenam nossa comunicação e ao mesmo tempo minam o processo democrático. Muito se fala em regulações e formas de consertar as redes mas estas estão implodindo. Leia aqui se quiser (em inglês).

O ciclo de nascimento, amadurecimento, envelhecimento e inevitavelmente morte parece também ser uma realidade para as redes sociais. E parece que nem mesmo uma adaptação parece salvar esse processo. Muitos aqui se lembram do Orkut que, que durou dez anos e acabou sendo desativada em 30 de setembro de 2014. Fez muito sucesso no Brasil e até hoje muitos sentem falta das comunidades.

Mas, falando das redes no sentido lato o problema é a grande quantidade de dados privados que as estas conseguem a partir dos relacionamentos que você constrói, as pessoas com quem mais conversa, etc. Então, não basta o aplicativo ter criptografia, por exemplo, nas trocas de mensagens que você realiza. O problema que é possível desenhar sua rede de relacionamentos, pessoas com quem lida diariamente e desenhar o seu perfil. Soma-se a isso as o cruzamento de dados existente, por exemplo, a partir do número do seu telefone celular que é usado em mais de um aplicativo da mesma empresa.

Um outro ponto que a autora discute é a possível tendência/solução da “slow media” ou mídia lenta onde, por exemplo, algo que você postar não será imediatamente publicado mas sim algum tempo depois. A ideia seria construir uma experiência diferente nas redes. Isso daria tempo, por exemplo, para curadores e revisores humanos a olharem o que está para ser publicado e não deixar tudo por conta dos algoritmos.

Algo para se pensar:

“Isso porque na vida real, temos mais controle sobre quem entrará em nossas vidas particulares e quem aprenderá detalhes íntimos sobre nós. Buscamos informações, em vez de colocá-las em nossos rostos sem contexto ou consentimento. Lentamente, a mídia com curadoria humana refletiria melhor como a comunicação pessoal funciona em uma sociedade democrática em funcionamento. “ Annalee Newitz

Eu acredito que nos próximos anos mudanças ocorrerão no funcionamento das redes e nossa ligação e interação com elas. Talvez um retorno gradativo à privacidade e mais opções de limitação do que pode e não pode ser compartilhado. O problema é que não é simplesmente você escolher não divulgar certa informação. O problema é a informação não explícita que as redes fazem uso. Seu perfil é construído a cada interação nas redes, não é anônimo, e focado no consumo. E hoje está difícil desligar essa vigilância.